Feliz aniversário!


Ambrosilda dirigia muito rápido, acima do indicado, não prestava atenção em nada a não ser no motivo em que a levava a dirigir naquela velocidade. Sempre tivera cuidado no trânsito, mas hoje tinha que chegar mais cedo em casa, era o aniversário do filho mais novo, Gino, hoje completando sete anos. Ambrosilda não tinha visto a hora passar, passara à tarde no shopping comprando o presente de Gino. Tinha pressa, não podia decepcionar o filho... Era o seu preferido. 

O sinal fechou e mesmo assim Ambrosilda continuou em movimento, passando nos carros que estavam em sua frente, quase atropelando um ciclista. Ambrosilda pensava em Gino, na festa, no atraso, nos convidados e acelerava cada vez mais... Olhou para o relógio, já estava atrasada quase uma hora. O sinal fica vermelho, o celular toca, era uma mensagem do marido, que perguntava por que ela ainda não tinha chegado e contando as novidades da festa.

Ambrosilda não pensou duas vezes, seu filho estava quase chorando pelo atraso, olhou para o lado, acelerou o máximo que pode, ultrapassou o sinal, entrou na contramão... Ambrosilda perdeu o controle e quase bateu em um motociclista, desviou, mas acabou perdendo novamente o controle, indo assim para cima da calçada, atropelando uma criança. No mesmo instante só se ouvia gritos de desespero, xingamentos, Ambrosilda olhou pelo vidro do carro a cena mais triste e cruel de sua vida e sabia que era culpa sua..

Desesperada por ter cometido um crime, ela sai com o carro sem prestar socorro a vítima. Como ninguém tinha visto seu rosto, ficou mais calma e quanto à placa ela mandaria ''trocar''. No final do caminho que dava para sua casa, ela ficou pensando na criança que tinha morrido... Seus olhos se encheram de lágrimas.

Chegou à festa, logo pequeno Gino correu em seu encontro dando-lhe um forte abraço. Ambrosilda começou a chorar e a lembrar-se das cenas do acidente: a menininha de talvez quatro anos, morta, ensanguentada no chão, a mãe dela aos prantos pedindo ajuda, as pessoas se aproximando, o braço da menina arrancado brutalmente, o pescoço quase se separando do corpo, os gritos de desespero... 

''E a mãe da menininha? Coitada! Ver a filhinha morrer daquele jeito''. E ela tão egoísta tinha violado as leis de trânsito para fazer os caprichos do filho, não ajudou a vítima... Ambrosilda estava muito deprimida.

O marido perguntou o que havia acontecido, mas a resposta veio de imediato, a polícia chegou à festa e estava sendo conduzida por uma empregada da casa, Ambrosilda ficou desesperada, pois a tinham descoberto e tudo isso porque ela não tinha percebido, mas chegou em casa com o carro, o presente e um pequeno braço de criança enganchado em um dos pneus de seu carro.

Um dos convidados tinha acabado de ver o noticiário de que uma menina, filha de um gari, tinha sido morta na calçada próxima a uma padaria local e que o culpado tinha fugido sem prestar socorro a vítima e com o bracinho da criança nas partes do carro. Ambrosilda foi presa, pagou fiança e saiu da cadeia poucos dias depois do acontecido, sete meses depois ela morreu em um acidente de carro, um caminhão vinha na contramão, o caminhoneiro disse que estava com pressa, era dia dos namorados.




Lizandra Souza

1 Comentários:

Carlos,  12 de janeiro de 2014 11:29  

Karak chocante isso.

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