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Mostrando postagens com o rótulo Contos Fantásticos

MISANDRINHAS

Era uma vez um homem muito tolo cuja primeira esposa havia morrido logo após o nascimento de sua primeira filha, Simone. Sentindo-se solitário e apreensivo pela responsabilidade que sua esposa lhe deixara, o homem decidira casar-se novamente com uma mulher, viúva, chamada Nísia, que tinha duas filhas, para assim “poder dar uma mãe a sua filha”, o que na verdade mascarava um ardiloso desejo, que era o de poder fugir das tarefas do lar. Machonildo casou-se quando Simone tinha apenas onze anos. Sua nova esposa era uma mulher que todos diziam ser muito arrogante e extremamente vaidosa. Nísia passou a ser assim julgada depois que o marido passou a beber desenfreadamente e desabafar sua sofrência nos bares do povoado – o homem não aceitava ter que dividir as tarefas do lar e a responsabilidade em educar as meninas. As gêmeas, Betty e Frida, eram mais velhas que Simone meia década. Ouviam-se boatos de que elas não se davam bem com a filha do padrasto. Muitas pessoas da região diziam ...

Da libertação de Eva ou a profana comédia

 Femme libérée , Zuleta, Colombia Cansado da merda que essa civilização bestial dos últimos tempos tem feito com seu planeta, desde os primórdios até hoje em dia, do barro ao homo sapiens atual, o Todo Poderoso decidiu acabar de novo com toda forma de vida na Terra, não se importando nem (preferencialmente) com seus supostos aborrecíveis representantes, adoradores e seguidores, que viraram tudo poeira junto com os ímpios. Porém, três dias depois do fim dos tempos, Ele se sentia muito solitário e carente. Desejando o monólogo de alguém, para conversar. Foi então que Odin decidiu acabar com sua carência, baixo-estima e ego ferido, pegando um pote de barro e começando a modelar os novos e recriados primeiros cidadãos da Terra. “Esses não irão sair bugados como a espécie homo sapiens... sem falar nas mentiras da mitologia grega, romana e nórdica, povo burro... dessa vez os primeiros habitantes do novo paraíso não serão...”, monologava Odin, contente, ao modular “o prime...

Devaneio onírico de um alienado

O Sonho (Pierre Puvis de Chavannes, 1883) “O incêndio que atingiu o escritório de advocacia Dr. Estácio Menezes e Cia. nesta manhã do dia 13, sexta-feira, no bairro Aldeota, em Fortaleza, não deixou feridos. O fogo foi percebido depois que uma fumaça preta começou a sair da porta da sala de um dos sócios.” Augusto, aflito, relia, pela trigésima vez, na tela de seu computador, o trecho de uma notícia sobre um pequeno incêndio que ocorreu nesta manhã, em seu trabalho. “Era para eu ter morrido, ainda bem que fiquei em casa... ah, amanhã eu quero ver a cara do Paulo, da Marta, do Antônio e dos outros quando eu explicar que não fui ao trabalho hoje porque sonhei que iria morrer neste dia, ah, agora quero ver se eles ainda vão rir ou fazer avacalhações com minhas superstições...”, pensava, desvairado. *** Augusto, desde criança, acredita no poder e nas revelações dos sonhos como premonições ou avisos celestiais, isso desde o dia em que ele sonhou que estava fazend...