O Vampiro da Meia-Noite - Cap.3 A carona



 No dia seguinte, Pandora estava alegre como sempre e já tinha decidido que voltaria ao castelo nesta tarde, mesmo que sozinha. Fernando não podia porque ele tinha que resolver uns problemas do casamento, Lívia, Álvaro e Nicole queriam ir a lugares mais “interessantes e divertidos”. Ficou decidido que Pandora iria ao Castelo, Fernando e eu iríamos à cidade vizinha e que no caminho nós deixaríamos os outros em algum ponto turístico.

--- Venha comigo Nicole, por favor. Insistia Pandora tentando convencer nossa irmã.
--- Não posso, é muito cansativo e eu combinei de fazer compras com a Lívia.
--- Tudo bem, melhor assim, respondeu Pandora.

Pandora foi para o castelo de Bran, mas dessa vez suas intenções eram outras. O que ela queria era encontrar aquele homem, que tanto a fascinara e que ela desejava profundamente conhecer, saber seu nome e escutar sua voz melodiosa. Porém, no começo, seus planos foram frustrados, havia muitas pessoas, ela não conseguia ver o ansiado. Quando ela já estava descendo as escadas, desanimada, sentiu um calafrio. Olhou para trás e viu descendo em sua direção a pessoa que ela desejava ver.
Ele caminhava em sua direção, chegando próximo, ele riu e deu as saudações.

--- Boa tarde, bela professora de história.
--- Boa tarde, misterioso leitor assíduo de Oscar Wilde.
--- Veio dar mais aulas?
---Ah, não, se tivesse feito licenciatura, não teria sido para história.
--- Se não é professora, é?
--- Na condição atual... turista.
--- Ah sim, é a primeira vez que vem aqui?
--- Não, respondeu Pandora, rindo, já morei aqui há alguns anos, eu era guia turística, me mudei para New Yorque, depois para o Brasil e esse mês estou aqui...
--- Matando a saudade, visitando?!
--- Isso e mais um pouco.
--- Acertei em partes.
--- Sim, mas você faz muitas perguntas.
--- É porque me interessa. August falou isso rindo e olhando insinuosamente para Pandora.
--- Qual seu nome? Eu sou Pandora Perri.
--- Tão belo nome quanto a dona, eu sou August Edgar Hallet Dracul.
--- Nossa, que nome grande, não me diga que é descendente distante dos Dracul.
--- Os vampiros, respondeu ele com um riso pequeno.
--- Claro!

August convidou Pandora para comer alguma coisa, mesmo receosa por causa do horário e por não conhecê-lo, ela aceitou. Ela não podia recusar, ele era tentador. Chegando a um restaurante muito elegante, eles pediram o jantar.

--- Então Pandora, por que voltou para Transilvânia, pretende voltar a trabalhar aqui?
--- Ah, não. Eu vim por causa do meu casamento.
--- Casamento! Não brinque, falava August com tom de zombaria.
--- Estou falando sério, vou me casar no fim do mês.

August, com o olhar sombrio, ficou quase cinco minutos sem pronunciar alguma palavra, depois voltou ao diálogo.

--- Você tem certeza de que quer se casar?
--- Que pergunta, é claro.
--- E você ama Fernando?
--- Eu... Ei, como você sabe o nome dele, eu não te falei?
--- Eu perguntei primeiro, Pandora. Você ama Fernando?
--- Acho que sim... E como você sabe o nome do meu noivo?
--- Ah, você vai unir a sua vida inteira com a vida de um homem que apenas acha que ama e, bem, eu sei porque ouvi você falar o nome dele ontem, quando ele foi te buscar no Castelo, aquele abraço só alguém muito íntimo lhe daria, não?
--- É... Sim. Pandora estava sem jeito, era a primeira vez que lhe acontecia ficar assim, sem graça, nunca ela perdera a voz e agora esse cara desconhecido lhe desestruturava desse jeito. Ela continuou, eu não acho, tenho cer...teza.
--- Você disse “acho que sim”.
--- Foi só maneira de falar. E casamento não precisa ser eterno...
--- Não concordo, se eu amasse alguém com toda a certeza de meu coração eu não teria respondido desse jeito, Pandora.
--- Desculpe August, mas eu tenho que ir, minha família deve estar preocupada, já são quase nove horas.
--- Tudo bem. Posso deixar você? Ou seu noivo não irá gostar?
--- Claro que pode e Fernando não tem ciúmes de mim.
--- Ah, não. Rindo um pouco mais alto que o normal August pagou a conta e foi com Pandora de carro até o hotel.

***

Continua!

                                                            
Lizandra Souza

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