Capítulo 9 de Fim de Semana Mortal: A primeira aventura de Emily Park



Ele caiu no chão todo se debatendo, parecia que estava tendo um ataque epilético, dava para ver a espuma saindo de sua boca, o veneno da cobra era mais perigoso do que eu poderia imaginar. Ele agonizava de dor, eu não sabia se o veneno o mataria, mas só em ver ele todo se debatendo foi um prazer inexplicável.

--- Eu ainda estou blefando, Felix, querido? Falei com escárnio.
--- O que tem aqui? O que você aplicou em mim, fale, fa...le.
--- Hahahaha, você não manda em mim, amigo. Hahaha. 

Eu ria desordenadamente, feito uma louca, e os minutos se passavam e ele falava, suplicava que eu lhe falasse o que estava acontecendo.

--- Calma! Não vou deixar você morrer... ainda... Agora é que eu vou me divertir. Você só vai sofrer durante algumas horas com esse veneno, eu sou bióloga e sei que ele não é letal, em doses pequenas como essa, eu acho... Mas em compensação você irá delirar e agonizar com uma dor muito forte em suas entranhas que irão inchar e talvez explodir, lhe causando um ataque cardíaco ou uma lipotimia, no mínimo, mas se você for forte, irá conseguir sobreviver, com alguma sequela talvez e, nós brincaremos e eu pararei de blefar.
--- Não... não pode ser...
--- Eh... Você é mais fraco do que eu pensava.

Neste momento ele perdeu a consciência, como o esperado. Eu sabia que tinha que lutar contra o tempo, mas não pude deixar de olhar para ele friamente por alguns minutos decidindo como seria a minha vingança, agora que eu estava no controle da situação. Fui á pequena sala e peguei uma corda, com ela amarrei-o num tronco que tinha no quarto. Eu queria fazer com ele o mesmo que ele fez com os outros. Não me importava se seria errado ou não, eu não sabia se iria matá-lo, ou levá-lo para á polícia, mas sabia que iria fazê-lo sentir muita dor...

Depois que o amarrei, eu saí da casa e fui ao acampamento. As coisas lá pareciam paradas, porém um odor forte vinha da barraca. Lembrei. Era o cadáver de Josh. Eu não queria vê-lo de novo, mas eu sabia que devia um enterro aos meus amigos. Depois que me vingasse eu chamaria a polícia, eles pegariam os corpos e eu poderia me despedir.

Fui até o carro, ele estava intacto. Naquele momento eu poderia ter fugido. As chaves já estavam nele. Porém eu não iria fugir. Eu estava louca, meu corpo doído, morrendo de fome e sede, suja e com uma cara deformada. Eu pensava que um dia uma cirurgia poderia me ajudar, minha estética não me preocupava naquele momento. Fui á outra cabana, a minha e de Mel.

Lá peguei uma roupa limpa. Uma calça e uma camiseta preta. Fui até uma pequena cachoeira e tomei um banho. Não me sentia limpa por completo, mas ajudava a pensar melhor. Meu rosto ainda doía muito e às vezes saía sangue.

Depois que me vesti, peguei o canivete e fiz o que eu necessitava naquele momento. Cortei meus cabelos até quase a raiz, só não raspei por medo de me machucar. Eu queria me sentir totalmente outra pessoa para poder fazer o que eu queria - a vingança de um monstro. Só um monstro faria mal á outro.

Felix devia comer alguma coisa para sobreviver, cheguei a casa, fui á cozinha e nada achei. Fui a um quarto que eu ainda não tinha entrado. Era o de Felix, ao contrário do resto da casa, o quarto era quase confortável. A cama macia na medida do possível. Havia uma grande caixa, dentro várias comidas, entre elas peguei um refrigerante, que estava vencido há dois meses, chocolates baratos e sacos de batata fritas. Com certeza ele roubava dos turistas, para sobreviver.

Voltei ao quarto onde tinha deixado Felix, ele ainda estava em estado de lipotimia, aproveitei para pensar no que eu faria quando ele acordasse. Eu vingaria todas as vítimas de seus atos cruéis. Mas a primeira vingança seria a minha, então eu pensei no que ele me fez. Ele tinha deformado meu rosto, mas eu não podia fazer isso com ele porque ele já era desfigurado. Então eu tive a grande ideia. Ele tinha me dado um chute com a metade da perna de madeira, nada mais justo que eu me livrar desta maldita perna.

Essa resolução havia me deixado excitada. Eu iria tirar aquela perna, mas ele teria que estar consciente, eu queria ver a dor dele ao vivo e na hora exata. Enquanto ele dormia eu fui vasculhar toda a casa e pegar algumas armas que eu iria utilizar. Mas eu não o imitaria, tinha que ser autêntica e pior.


Continua!


Lizandra Souza.


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