Memorial de Aires - Machado de Assis - Resenha


Memorial de Aires é a última obra de Machado de Assis, publicada inicialmente em 1908, mesmo ano de falecimento do autor. Como na maioria de seus livros, Machado de Assis faz do enredo algo interessante que não só a história, mas a própria forma de contar essa história é fascinante aos olhos de quem sabe apreciar um bom livro.  Memorial de Aires é escrito em forma de diário, com datas e expressões temporais.

A narrativa da história se passa no Rio de Janeiro em 1888 e 1889, no qual um diplomata aposentado de sessenta e dois anos relata, na forma de diário pessoal, a história de sua vida de aposentado, viúvo e conselheiro. Não é narrada como era à vida do Conselheiro de Aires (como ele é conhecido) no seu passado, juventude e aventuras, só têm-se alguns fragmentos soltos na narrativa (trazidos por flashbacks),  o que é enfatizado no romance é a visão do personagem narrador e protagonista (no caso o Conselheiro) sobre os fatos, acontecimentos que ocorrem ao seu redor, sempre fazendo com subjetividades um juízo, reflexão ou crítica.

Apesar de o foco da história está nas "visões" do Conselheiro (seu ponto de vista), outros personagens têm grandes participações secundárias na obra, como Fidélia, uma jovem e bela viúva, que desperta no nosso narrador um sentimento, talvez um amor platônico, sendo visto pelo Conselheiro como um amor distante/impossível. Ele também conhece e faz amizade com casal Aguiar (amigos de Fidélia).

No meio da narrativa alguma esperança de união com a viúva, foi se dissolvendo com a chegada de Tristão, afilhado do casal Aguiar, que no decorrer do romance se apaixona por Fidélia, e ela também corresponde aos seus sentimentos, tornado o Conselheiro por vezes em seus comentários um homem melancólico. O Conselheiro de Aires se torna grande amigo de Tristão, e em nenhum momento faz comentários rancorosos deste, chega até a dizer que o jovem casal se merecia. Depois de algum tempo Fidélia e Tristão se casam e vão morar no exterior deixando saudades aos padrinhos, amigos e ao Conselheiro.

Essa obra de Machado me surpreendeu de maneira diferente das outras, eu estava esperando encontrar um memorial cheio de ironias, críticas, sarcasmos refinados, mas não, diferentemente dos seus outros romances que já li, o livro se volta mais para aspectos existências do próprio ser, como o lado psicológico do Conselheiro envolvendo a solidão de um aposentado, viúvo, ou um casal de idosos que não tendo filhos se apegam a outras pessoas... o conselheiro é um homem simples, vivenciando os paradigmas da velhice, da melancolia e da solidão.  Eu amei o livro, é fascinante como todas as obras de Machado, a estrutura, os elementos e a linguagem do autor são perfeitamente geniais.

CURIOSIDADES
·       O conselheiro de Aires já foi personagem do romance Esaú e Jacó do autor (já li, muito bom!).
·       O Memorial foi escrito logo após a morte de Carolina, esposa querida de Machado, assim muitos apontam de onde vem à melancolia na obra.


Lizandra Souza.

13 Comentários:

Raffael Petter 15 de novembro de 2012 15:31  

MACHADO DE ASSIS É O MELHOR!

ABRAÇOS,

Pâm Possani 15 de novembro de 2012 18:19  

Não sei se é o tipo de livro que eu leria por conta própria, mas parece ser uma história interessante e surpreeendente para um memorial, né?*-* E a leitura, muito gostosa, pelo visto,né? c:

***
AAAH voce gosta de spoiler na resenha? rsrs
bom saber c:
obrigada, linda *-*
Um beeeijo!
Pâm
http://interruptedreamer.blogspot.com.br/

Lola Mantovani 16 de novembro de 2012 07:46  

Amei a resenha, nunca li esse eu já li o do casmurro e memorias póstumas de bras cuba.
antes eu achava os livros dele bem complexos e sempre parava no começo até que conseguia maturidade de entender o que ele dizia e me apaixonei pelos livros.
beijos

Lizandra Souza 16 de novembro de 2012 08:08  

ÉÉÉÉÉ COM CERTEZA......... Amei você ter dito isso, beijos.

Lizandra Souza 16 de novembro de 2012 08:13  

Oi Pâm, obrigada por comentar, a leitura é muito gostosa e perfeita, valeu pela visita, beijos.

Lizandra Souza 16 de novembro de 2012 08:24  

Oi Lola, que bom que gostou, eu também já li esses que você citou, são muito bons, a leitura fica realmente mais fácil quando a pessoa adquire uma maturidade literária ou é um leitor assíduo dele como eu rsrs, beijos linda.

Desventuras em Série 16 de novembro de 2012 13:19  

Já li e recomendo, até mesmo como você disse essa obra é mais voltada para seu próprio ser, algo diferente das obras de Machado, enfim um bom livro para entender mais sobre a melancolia que as vezes nos assombra.
http://desventuras-em.blogspot.com.br/

Lizandra Souza 16 de novembro de 2012 14:52  

Oi, obrigada pela visita, vou retribuir, realmente esse livro é diferente dos outros, não por ser o ultimo de Assis, mas por a temática ser mais existencialista, voltada para os questionamentos do personagem, beijos.

Sabrina Errera 17 de novembro de 2012 11:54  

Oi Lizandra, tudo bem?
Esta obra ainda não conhecia.E por ser sua última obra, preciso ler com certeza. Ótima indicação.
Ótimo final de semana.
Beijos,
Sah Errera
Blog Sabrina Errera

Lizandra Souza 17 de novembro de 2012 15:10  

Oi Sabrina, tudo bem, obrigada pela visita, também te desejo um bom fim de semana, beijos.

Universo dos Leitores 16 de julho de 2013 19:20  

Parabéns pela resenha! Me interessei muito pela obra. Tudo que li de Machado até hoje eu gostei, mas esse ainda não conheço!

Você viu que ele ganhou uma biblioteca virtual? Olha só:

http://universodosleitores.blogspot.com.br/2013/07/noticias-biblioteca-virtual-espanhola.html

Parabéns pelo blog, já estou te seguindo!

Bjs

Anônimo,  19 de julho de 2013 05:19  

aires é um homem ou um livro?

Lizandra Souza 29 de julho de 2013 04:51  

Aires é um homem... (personagem principal do livro: "Memorial de Aires...)!!! Ou seja, memórias de Aires (pessoa) : )

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