Capítulo 1 de Fim de Semana Mortal: A primeira aventura de Emily Park



Nunca irei esquecer meu último fim de semana na reserva florestal de Foxville. Principalmente porque foi lá, há três anos, que vivi os dias mais assustadores de minha vida. Lá vi o inferno, ao encontrar os corpos de meus melhores amigos mortos...

Não sei se devo dizer que foi sorte eu ter sido a única sobrevivente entre tantos turistas, pois minha vida mudou radicalmente, ainda mais porque tenho que viver neste manicômio. Vocês médicos... E ele... Querem me fazer esquecer e acreditar que tudo está bem. Mas eu sei o que vi e o que sofri, não tenho como esquecer. Meu corpo é a prova viva do que passei.

Eu queria morrer, mas tinha que continuar viva depois do que me aconteceu, essa era a minha maior vingança. Prefiro retardar o que me atormenta hoje e contar tudo do começo, apesar de não saber qual seu interesse real nisso... A única coisa que posso afirmar inicialmente é que você irá se assustar com o que vou lhe contar, e me desculpe se o meu método é a digressão, mas é inevitável. Agora vou aos fatos.

Na época eu tinha vinte e um anos, era bióloga, bonita, tinha muito dinheiro... Levava uma vida... Como posso dizer... Normal! O que me fazia mesmo feliz era a companhia de meus melhores amigos, Josh, Mel e Gray... Gray eu conhecia desde a faculdade, nós estudávamos juntos... Ah, não posso me lembrar dele sem me emocionar... Como eu o amava.

Um dia Josh chegou para mim e nossos amigos dizendo que tinha quatro entradas especiais para uma reserva muito boa no leste de Foxville... Era um lugar deserto, longe de civilização, calmo e relaxante. Ele descreveu o lugar de uma maneira tão irresistível que nem eu e nem os outros poderíamos deixar de ir.

Nós viajamos no carro de Mel, que era o mais espaçoso, levamos todos os tipos de mantimentos e kits de primeiros socorros, apesar de Josh e Gray intervirem: “Não vamos precisar disso, Emily, a viagem é apenas de três dias”. Ah, Pobre Gray, nem imaginava que iriam ser os últimos dias de sua vida...

Era sexta pela manhã, chegamos à reserva florestal de Foxville com sete horas de viagem, todos exclamaram dizendo que o local era lindo, perfeito para um fim de semana relaxante, mas, inicialmente, eu achei o aspecto do lugar muito sombrio, não sei se por causa de as árvores serem muito altas ou o céu estar muito escuro refletido na água com as folhas também escuras ou era o meu humor neste dia, enfim, de início o lugar não me agradou. Josh foi logo colocando a roupa de banho e pulando na água, levando Mel nos braços, contra sua vontade.

--- Seu grosso! Molhou minha roupa... Reclamava minha amiga, tentando não rir da atitude infantil de Josh.

Depois de uma hora, eu já tinha familiaridade com o lugar e resolvi dar um passeio pelo interior da floresta, chamei Mel e ela logo aceitou.

Passeamos pelo lugar, ela quis tirar fotos, mas tínhamos esquecido a câmera no carro, andamos por uma pequena trilha e quando fomos perceber já estava escurecendo e o pior é que estávamos perdidas. Onde estávamos dava para ver o topo de uma colina e a seu redor umas rochas enormes, a entrada da trilha já estava imperceptível, escondida atrás das arvores, quando percebi me bateu um horror e gritei, com isso assustei Mel, que também gritou, naquele instante nós ouvimos um barulho e começamos a correr.

Tentamos de tudo para voltar ao acampamento, mas só conseguimos chegar a uma gruta e ao lado havia um pequeno precipício. Na caminhada Mel tinha torcido o tornozelo, ela estava chorando de dor, então resolvi deixá-la sentada numa pedra para pedir ajuda aos garotos.

Oh, como me arrependo de ter deixado minha amiga lá sozinha e desprotegida. Saí a caminho da trilha, corri muito sem olhar para trás. Gritei tanto que Gray e Josh vieram ao meu encontro.

--- Que bom que achei vocês... Mel torceu o tornozelo... Ela está só e...
--- Calma Emily! Respire devagar... Disse Josh
--- Onde Mel está? Perguntou Gray.

Eu olhei para trás e quase desmaiei de pavor, eu não sabia qual a direção, só sabia que tinha corrido rápido, caído e gritado muito, meus joelhos estavam arranhados e tinha duas das minhas unhas dos pés quebradas, mas isso não era o que me importava, o que me deixou desesperada foi não saber onde estava Mel, mil pensamentos se passaram pela minha mente, animais ferozes, serpentes... Menos o que realmente aconteceu.

--- Calma Emmy, nós iremos achá-la. Falou Gray.

Sempre que alguém queria me acalmar usava meu apelido. Mas desta vez não funcionou, “Temos que achá-la”, eu repetia isso várias vezes e eles me mandavam ter calma. Josh mandou Gray ficar comigo e foi procurar Mel, rindo do meu comportamento infantil. Anoiteceu e nada deles chegarem, fiquei preocupada, mas acabei dormindo. Ao amanhecer Gray e eu fomos procurá-los, eu fui por um lado e ele por outro.

Atravessei uma trilha e para minha surpresa vi a colina, na qual Mel e eu havíamos passado, consegui chegar ao local, e lá estava o corpo de minha amiga, totalmente mutilado numa cruz.

Que cena horrível. Nunca vou esquecer. Ela estava sem roupa, seus olhos tinham sido arrancados, estava sem uma das mãos e faltava-lhe uma das pernas... Eu comecei a chorar, na hora não tive ideia do que era aquilo, a única coisa que via era o corpo da minha melhor amiga numa cruz, totalmente sem membros perceptíveis. Dei um grito, queria desmaiar, morrer ali mesmo, mas ainda não era minha hora.

Cheguei mais perto e vi que aquelas mutilações não poderiam ter sido feitas por um animal, afinal de contas como um conseguiria pregá-la numa cruz? Notei também que ela estava sem a metade do cabelo, do lado esquerdo do crânio, que dava até para ver uma pequena rachadura. Chorei de novo, coitada de minha amiga, como sofreu nas mãos deste assassino cruel. Tentei tirar seu corpo da cruz, mas era impossível, estava muito bem pregado. De repente me bateu um desespero ao pensar em Gray e Josh. Eles ainda deviam estar procurando Mel e nem imaginavam o que tinha acontecido. Saí dali com mais precaução do que deveria, não queria cair para não me machucar e ficar vulnerável, “Seja quem for que tenha feito isso, não deve imaginar que eu achei o corpo de Mel”, eu pensei.

No caminho as lágrimas não paravam de descer pelos meus olhos, tanto que nem prestei atenção, inicialmente, que estava sendo seguida e, quando dei por mim, fiquei apavorada, corri tanto que não seria capaz de descrever as vezes que caí. Cheguei à nossa barraca, fiquei aliviada, vi Josh dentro, reconheci pela sombra do chapéu. Gritei para ele, mas não recebi resposta. Caminhei e continuei gritando, então senti que meus pés faltavam pelo chão, não sentia mais nada, nem mesmo minha respiração, a única coisa que pensava era o que poderia ter acontecido com Josh para ele não me responder.

Entrei na barraca e meu coração quase saltou pela boca, assim que abri a pequena venda vi uma poça de sangue no chão, e Josh, sentado numa cadeira, sem o mínimo de sangue, ele havia perdido tanto sangue que estava com a aparência anormal. Gritei e chorei, quando olhei para baixo e vi umas das pernas de Josh num recanto. Josh também havia sido mutilado... Chorei de novo, a cena era muito forte. Mas uma vez o vento arrepiou os meus cabelos, de repente me lembrei de Gray e desmaiei...

Continua!


Lizandra Souza

8 Comentários:

Raffael Petter : Contos e Séries 28 de outubro de 2012 12:18  

Escreves muito bem!Aguardo, ansioso os proximos capitulos!

raffaelpetter.blogspo.com

Lizandra Souza 28 de outubro de 2012 12:39  

Oi Raffael, obrigada pela visita e pelo comentário, postarei amanhã o segundo. Beijo!

Kathy 28 de outubro de 2012 14:17  

ai miga que horror! justo o amor dela, até eu teria desmaiado! esperando a continuação. bjus

Kéziah Raiol 28 de outubro de 2012 14:18  

Nossa como escreve bem *-* adorei.
Fiquei ansiosa pelos próximos capítulos, adorei teu blog flor.

Beijinhos.
paixaoliteraria.com

Lizandra Souza 28 de outubro de 2012 14:45  

Oi amiga, obrigada pela visita, há e coitada da Emmy, ninguém nem imagina o que ela passou!!!! Beijo!

Lizandra Souza 28 de outubro de 2012 14:48  

Oi Kéziah, obrigada... Que bom que gostou. Também gosto muito do seu blog, viu linda. Beijos!

Lola Mantovani 28 de outubro de 2012 15:34  

Que perfeito, amei, quero logo ver a continuação.
flor, na parte da gruta está escrito mia, ela é a mel?
beijos

Lizandra Souza 28 de outubro de 2012 17:31  

Oi Lola, que bom que gostou, obrigada pela visita. Sim, e se eu te disser que confundi na hora de postar, rsrs, o original estava salvo no computador, aí quando passei para o blog, editei algumas partes e resolvi mudar o nome dela, só que acabei deixando Mia, rsrs, Já re editei o nome da defunta rsrs, valeu. BEIJOS.

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