Uma Bizarra História dos três Porquinhos...



Personagens

Boi-Ola: boi e rei da floresta.
Antonildo (Toin): porco imprudente.
Genésio: porco metido a moralista.
Pançudo: porco mais comilão - só para variar.
Galileu: galo e, na história, uma testemunha...
Doralice: mulher do lobo e mãe de seus sete filhos.
Mané mago: lobo rebelde.
Peru: agente da FBAI (Fundação Brasileira de Apoio aos Irracionais) - na verdade ele era mesmo um peru.

***

Tudo começou quando Boi-Ola decretou uma lei que proibia todos os animais de se alimentarem um dos outros, pois a floresta estava ficando em extinção e ele queria a preservação do meio. Com isso, todos os animais tiveram que arrumar meios de se alimentarem sem prejudicar um aos outros. Porém, na floresta havia um ser que era rebelde e não aceitava a imposição do rei, esse era Mané mago, o lobo mais temido do lugar. 

Mané não era mau, mas tinha que se alimentar e levar comida para seus sete filhos e para sua mulher, por isso decidiu que ele mesmo iria fazer o que quisesse e comer quem quisesse. Assim, todo dia o lobo procurava uma oportunidade de ficar só com algum animal indefeso, como o porco Antonildo, que todos os dias passeava no bosque a procura de comida. Certa vez, Antonildo saiu só, para procurar frutas para comer, e encontrou com Mané.

--- Olá, Toin!
--- Oi, Mané, o que você faz aqui?
--- O mesmo que você. Acho!

Antonildo já se borrando de medo deu tchau... Mas, já era tarde demais, Mané veio correndo em sua direção e creu... Matou o pobre Antonildo. Todavia, Mané era bocó, pois aquele era um local público e se alguém o visse ele iria ser levado a Boi-Ola que iria dar-lhe uma punição... que era a morte... E para seu azar o crime tinha testemunhas, ou melhor, uma testemunha, porém o lobo não a viu, esse era Galileu, que viu tudo e saiu correndo, porque não queria ser a próxima vítima. 

Mané levou o corpo de Antonildo para um lugar mais reservado, onde cortou seus pedaços para cozinhar e colocou seu sangue numa garrafa para beber depois e, é claro, levar também para sua família. Quando tudo já estava feito, ou melhor, cozido, Mané resolveu levar para casa. No meio do caminho esbarrou com Pançudo que logo sentiu o cheiro do cozido e perguntou:

--- Hum! Que cheirinho bom... Só pode ser comida, não é?
--- Se você sabe, por que pergunta?
--- Porque passei o dia procurando por Toin e estou morto de fome.
--- Morto ta é o Toi...
--- O quê?
--- Deixe pra lá...  tchau...

O lobo continuou andando até que pançudo gritou:

--- Se você não dividir tudo... vou contar para o rei que você andou caçando, já que isso só pode ser carne fresca.

Mané, sem saída, teve que aceitar dividir, pois já estava cansado e o porco era muito gordo, com certeza só com uma caída em cima de si ele o esmagaria.

--- Tudo bem! Venha aqui e pegue um pedaço.
--- Um pedaço não! Eu quero a metade.
--- Pegue logo antes que eu...
--- Calma! Já escolhi, eu quero esse pedação aqui. Mas por que todos estão cortados e que animal é esse?
--- Não te interessa, vai logo e come antes...

Pançudo não esperou um minuto, comeu quase tudo e guardou um pouco.

--- Não vai comer tudo? Perguntou Mané.
--- Não, vou deixar pra...
--- Quer saber de uma coisa, me deixe ir. 

O lobo sumiu na escuridão do caminho.

No dia seguinte continuaram-se as buscas por Toin até que Galileu resolveu contar à verdade, que foi Mané quem deu um sumiço no porco.

Mas o lobo negou tudo:

--- Mentira! Vocês não podem acreditar nesse galo, eu jamais... Faria isso.

Boi-Ola não podia fazer nada, não tinha provas, então contratou Peru, agente da FBAI (Fundação Brasileira de Apoio aos Irracionais) para solucionar o caso.

--- Quero justiça! Disse Genésio, irmão do falecido.
--- Terás meu caro porco, disse Peru.

Peru começou uma investigação e decidiu interrogar todos os animais da floresta para saber onde estavam ontem, antes do sumiço de Toin. Começou por Galileu e viu grandes indícios de a história contada pelo mesmo ser verdadeira. Depois interrogou Doralice, que sabia a verdade, mas não contou, é claro. O último a ser interrogado foi o lobo que disse ser inocente e que tinha um álibi:

--- Eu estava ontem o tempo todo com Pançudo.

Todos se perguntaram onde estava Pançudo neste momento que não estava sendo igualmente interrogado. Todos resolveram procurá-lo e o acharam chupando alguns ossos. Perplexos, disseram:

--- Foi ele... É! Só pode ter sido ele.

Pançudo, sem entender nada, falou:

--- O que está acontecendo?
--- Sínico... Herege! Respondeu Boi-Ola.
--- Mataste teu próprio irmão. Todos falavam.

Pançudo entendeu tudo e disse:

--- Ah, não! Isso aqui é algum animal desconhecido que Mané me deu... Claro que não é meu maninho.
--- É sim, respondeu Galileu.
--- Não pode ser Pançudo, você comeu nosso irmão... seu canibalesco... Imoral. Sujo! Dizia Genésio.
--- Não... Não, eu só comi alguns pedaços e... foi o lobo que me deu e...
--- Levem os acusados para a fogueira, disse o rei.

Doralice interveio e falou:

--- Espere, oh, rei, por favor, não o culpe, pois a culpa é sua, você não poderia ter impedido os animais de caçarem. E a gente tem filhos e... as crianças como ficam sem pai?!

O frouxo do Boi-Ola pensou no lobo morto e em seus sete filhos chorando pela morte do pai e Dora, coitadinha, viúva tão cedo... E Pançudo além do trauma de ter comido o próprio irmão, merecia morrer...?

Peru falou:

--- A justiça tem que ser feita, quem comeu Toin tem que pagar...
--- Cale a boca, disse Pançudo. Você também comeu Toin, você se lembra quando ontem à noite já bem tarde você foi a minha casa e eu te ofereci um lanche? É... É isso mesmo, aquele "lombar" era de Toin e bem que você comeu até os ossos, aliás, não só você, mas Genésio também, não é mano?
--- Oh! Todos disseram.

Boi-Ola perguntou:

--- Alguém mais comeu Toin?
--- Sim. Dora proferiu que ela e os filhos também...

Mané mago falou:

--- Oh rei, não podes matar a todos nós, perdoai-nos por vossa clemência e benevolência.

Boi-Ola disse que todos seriam perdoados e decretou que dali por diante todos poderiam viver de acordo com seus instintos... Todos ficaram felizes até que a ficha caiu. Agora não haveria mais proteção, então todos os animais foram para as suas casas com medo uns dos outros.

No meio do caminho Galileu encontrou com o lobo:

--- O que você está fazendo aqui? Perguntou Mané, com um sorriso de ironia, com água na boca e pensando: "é  hoje que esse galo de uma figa me paga. Vou acabar com ele".
--- Adivinha seu bocó... Respondeu o galo Galileu. E gritou: pode vir família... é hoje.

Neste momento, saíram da mata cerca de quinze galos e galinhas, ferozes, todos partiram para cima do lobo, o devorando a bicadas.

Lizandra Souza.

1 Comentários:

Anônimo,  24 de setembro de 2012 14:03  

gostei muito legal,vamos deixar dessa historia bobas de contos de fadas.

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